No fundo, somos todos narcisos ecoando por aí!
domingo, 21 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
goethe pornográfico
Não te queres deitar nua ao meu lado, bem-amada;
Por vergonha te escondes de mim em tuas vestes.
Diz-me, o que cobiço? A tua roupa ou o teu corpo?
Vergonha: uma roupa que os amantes jogam fora.
de Epigramas Venezianos, In: Poesia erótica: Cia das Letras
quarta-feira, 20 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
de ricardo reis
Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é um presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
alguma aula de filosofia
para que serve a razão? para apaziguar os espíritos? para domar as sensações do corpo?
vamos direto ao ponto, meus caros, por que vocês estão tão espantados com as manifestações artístico-filosóficas dessa mulher? deixemos a mulher sentir em seu corpo as intensidades da vida. deixemo-la voar. poderá ela voar? parece que não, não nesse mundo da filosofia. ela continuará tendo de lançar mão de evasões, truques e máscaras para inventar sua existência no universo das interpretações. ela terá de inventar uma razão. justificativas, explicações.
desde o neolítico, são diferentes as maneiras como a domesticação bate no corpo de homens e mulheres. a reação à domesticação do corpo da mulher tem de ser marcante, pois é marcante o modo como ela opera em seu corpo.
será possível, meus caros, levar nietzsche as últimas consequências?
onde mora a realidade sobre o mundo? não continuamos criando conceitos e modos aceitáveis de viver a vida? não estamos aqui aprendendo o bem falar? o falar perspectivo, que escapa das determinações da palavra? será possível? seria possível? onde mora o limite? será a vida uma obra de arte? será isto aceitável, a vida como arte nesse mundo da norma? qual é o limite? será possível viver, sentir no corpo as palavras nietzscheanas? que tipo de experimento é esse?
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
gerações da vida
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não são de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e se estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que o encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
domingo, 29 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
...
a menina correu para o meio do mundo.
olhou para cima, em direção ao satélite do google earth
e disse:
eu não sou uma gracinha!
quarta-feira, 18 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
a cor do cinza
*
o dia estava nublado, era outono, muitas folhas no chão
cinza
frio
havia mais ninguém
silêncio
*
bancos envolvidos por altas palmeiras
sentei-me no meio de um deles e olhei
não havia raios de sol nem alegria
as nuvens condensavam a luminosidade solar e refletiam o silêncio de um dia nublado
me lembrei dos versos escritos anos antes:
gosto de viver a tristeza de um dia nublado
saudade ancestral
tristeza aconchegante
o vento frio no rosto
no bosque, a neblina a abraçá-lo
sombrio e denso
silêncio
*
sábado, 26 de março de 2011
clio, a grega moderna
clio foi pega pelo pé, passaram-na pelo filtro cientificista, pobre grega, e transformaram-na em uma titã moderna, objetiva e generalista, cheia de fórmulas e métodos pré-fabricados.
dona da verdade dos fatos, a clio moderna se coloca à frente das demais musas e se proclama a única com autoridade para contar uma história digna de confiança.
apresenta-se com uma arrogância neutra e racional, retórica e explicativa.
pobre grega...
sexta-feira, 25 de março de 2011
sangue no papel
quando o coração está a derramar litros de sangue é impossível escrever
o líquido vermelho se espalha no papel e mancha o que estava escrito
(escrito em 05/12/2004)
terça-feira, 8 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
pensamentos mudos
pois então, se todos os meus pensamentos virassem palavras em textos seria bonito.
gosto da minha poesia que vê o mundo,
mas tenho a impressão que é isso mesmo, ela só vê. não sabe falar.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
esfinge
quem é esse mim que me inebria?
me faz perder o ritmo, o tom, a pausa?
quantos dentro em mim sabem de mim?
se o que eu sou nem eu sei?
decifra-me ou te devoro.
domingo, 9 de janeiro de 2011
terça-feira, 30 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
perguntas
o que muda entre a virtude e o vício?
o que muda? entra a virtude sai o vício.
o quê, muda???
os valores
Charge elaborada pelo cartunista francês Emmanuel Chaunu
Após fazer uma breve análise da charge, achei interessante compartilhar com vocês alguns pensamentos que me ocorreram.
Primeiramente, o artista é francês e, ao produzir essa charge, faz referência ao ensino na França. De qualquer forma, a charge não se detém às fronteiras nacionais e pode ser utilizada para se pensar a história do ensino no Brasil. Isso fica patente a partir do momento em que alguém fez a tradução da frase para o português e passou a divulgar o desenho no círculo virtual brasileiro, alcançando grande repercussão.
A charge apresenta dois períodos da história do ensino no Brasil: 1969 e 2009. A cena de 1969 é pintada em tons de sépia, próxima a uma fotografia envelhecida que nos faz sentir certo saudosismo em relação ao passado. Os pais figuram como pessoas respeitáveis, austeras, autoritárias, certas de si. Comportam-se como modelos morais para seus filhos e, por isso, exigem explicações precisas para seu péssimo rendimento escolar. A professora aparece impassível, rígida, demonstrando autoridade e conhecimento. Uma mulher séria, certa de seu poder. A criança, por sua vez, uma coitada. Curvado sobre si mesmo, o menino não encara ninguém. Apresenta uma apatia profunda, profundas olheiras e profundo temor. Teme os pais, a professora, os amigos, o cachorro, seus próprios sonhos.
A cena de 2009 é colorida, rosa, azul e verde. Os pais não apresentam a mesma formalidade e seriedade dos de 1969, são aparentemente mais jovens, usam roupas descoladas (primeira mudança: os pais de 1969 procuravam parecer mais velhos, os pais de 2009 se preocupam em parecer mais novos), porém, são raivosos, cheios de si, querem ver cumpridos seus direitos de cidadãos. Exigem explicações quanto ao péssimo rendimento escolar do filho, no entanto, dessa vez é a professora que deve responder à pergunta: Que notas são essas? (Segunda mudança: os pais responsabilizam os professores pela educação que não dão a seus filhos). A professora, por sua vez, não tem um pingo de autoridade. Nem sobre a criança tampouco frente aos pais. Se pudesse, sairia correndo dali, se possível pedindo perdão pela incapacidade de ensinar/ domesticar aquela criança... Não sabe o que fazer. (Terceira mudança: os professores lavam suas mãos). A criança, nessa cena, reina. Seu cabelo parece uma coroa reluzente. Ele olha para o alto, jubiloso. Orgulha-se de sua suposta esperteza, de sua habilidade em tirar vantagens das situações.
Nas cenas, dois elementos permanecem iguais: as notas das crianças e as perguntas.
A charge coloca em questão os valores de duas instituições chaves de nossa civilização moderna tardia: a família e a escola, especialmente os pais e os professores e, de maneira mais ampla, os contextos sociais e políticos brasileiros. As crianças são os frutos dessas relações, são as personagens menos conscientes de suas ações, que dialogam com os adultos de seu mundo. Analisando apenas o desenho, procurando não pensar na relação causa e efeito que a colocação cronológica dele sugere, é possível dizer que ele afirma a ocorrência de uma mudança de valores (não necessariamente inversa), e que não leva necessariamente à desigualdade comparativa: naquele tempo era melhor, agora é pior. De fato, faz sua crítica tanto à opressão de 1969 quanto ao descompromisso de 2009, por isso, seu título original .....os valores são outros.....
Assim, a maior carga valorativa do e-mail está em seu título: Um exemplo perfeito da inversão de valores que nos assola. Assolar, no Houaiss, tem os seguintes sinônimos: 1. pôr por terra; devastar, arruinar, destruir; 2. pôr em grande aflição; consternar, agoniar. Essa frase, portanto, poderia ser escrita Um exemplo perfeito da inversão de valores que nos arruína. Ao usar o verbo assolar, o autor leva o leitor à conclusão de que o ensino no tempo passado era melhor, mais sério. Os pais tinham no professor um aliado, alguém preocupado e preparado para disciplinar seu filho. Agora, no entanto, vivemos a ruína, a destruição dos valores, o oba oba, a lei do tudo pode....
Será que aqueles valores morais de 1969 são mesmos melhores?
Será que não existem os valores morais de 2009? Ou será que são piores que os de 1969? Será que são diferentes: de que maneira, em que medida?
texto escrito em outubro de 2009
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
de volta às palavras
de volta as palavras!
um dia todas elas se foram e o papel sofreu a falta do atrito áspero do grafite.um dia elas se calaram e o vento sofreu a falta do som confuso das vozes.um dia elas mentiram tentando dizer a verdade e o fogo consumiu o papel.
sábado, 18 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
LIBERDADE DE VIDA OU VIDA LIVRE DE MIM
O trem vai passando,
Vai levando a minha vida.
E eu vou correndo atrás.
Não há tempo nem velocidade
Que me façam alcançá-lo.
Penso em deixar
Minha vida ir embora.
Mas, não sei o que farei então.
Será que poderei emprestar de alguém
Os dias que ainda me faltam?
E quem irá se apossar de minha vida,
Que foi embora no trem?
O tempo vai atrás do trem
Comendo os trilhos que passam,
Levando minha vida para longe de mim.
Vai levando a minha vida.
E eu vou correndo atrás.
Não há tempo nem velocidade
Que me façam alcançá-lo.
Penso em deixar
Minha vida ir embora.
Mas, não sei o que farei então.
Será que poderei emprestar de alguém
Os dias que ainda me faltam?
E quem irá se apossar de minha vida,
Que foi embora no trem?
O tempo vai atrás do trem
Comendo os trilhos que passam,
Levando minha vida para longe de mim.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
triste sina humana
se deus estivesse em todas as coisas
todas as coisas seriam as coisas criadas por ele
a cultura não foi deus quem criou
ela é humana
o homem é que está
em deus e na cultura
...
mas também não está em todas as coisas
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sai de mim
eu preciso me ver a uma artística distânciade longe e do altosaber qual é o meu tamanho nesse imensomar das palavras, das coisaspairar por cima delas, voar, sobrevoarminhas máscaras, ver-meeu preciso me afastar de mimficar de fora da moral que me compõedecompô-la, desfazê-laver minha aparência
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Para que servem as palavras?
— Então afirma - disse van Leyden sintetizando para si próprio as palavras do Marquês - que no fundo, a cura se realiza através da entrega total ao magnetismo e que a mais mínima reserva destrói seu efeito totalmente?
— Não - respondeu Puységur, - embora aquilo que esteja dizendo seja pertinaz, chega a um resultado totalmente errado. Ao invés de deixar que as coisas aconteçam, o senhor trata de se antecipar com os pensamentos. Imediatamente surgem as duplicações e fazem com que tudo retroceda. Quando se começa a falar de alguma coisa, já se perde tudo o que é decisivo. Não existe "entrega ao magnestimo". Porque a entrega total ou a unidade da vontade é o magnetismo propriamente dito e, assim, é um absurdo falar da entrega ao magnestismo. A própria entrega já é mais do que suficiente e é nela que residem os elementos necessários para o sucesso. Pare de produzir ideias a respeito, porque estas seriam apenas formas de evitar ou de controlar.
(A árvore mágica, de Peter Sloterdijk, p. 230-1)
domingo, 22 de agosto de 2010
o sonho que é vida
vozes no meio da noite.
o homem recita poemas de cor.
o homem recitava poemas de cor.
sua voz no meio da noite.
acordei.
o homem estava sentado ao pé de mim
e recitava poemas de cor.
continuou recitando poemas de cor.
desejantes, misteriosos, instigantes,
enigmáticos, voláteis, excitantes.
poemas que o homem recitava ao longo da noite.
arrepiei.
sentia os poemas estalarem no meu corpo.
meus olhos vigiavam,
meus ouvidos captavam a voz,
meu nariz buscava eternizar o cheiro daquele momento,
meu coração batia com cuidado
para que o homem que recitava poemas de cor
não se percebesse observado.
acordei.
e o encanto vagueia pela terra.
escrito em abril/2006
terça-feira, 25 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
poesia para parmênides em consonância com heráclito
o devir não é
o devir não é ser
o devir deve vir
o ser é
o ser não é devir
o ser deve ser
o devir muda, passa
o ser é constante, permanente
(o estar triste, o ser triste
o estar disposto, o ser disposto)
o ser não é possível
o ser se modifica com o passar do tempo
o ser muda
o ser é devir
o devir não é ser
o devir deve vir
o ser é
o ser não é devir
o ser deve ser
o devir muda, passa
o ser é constante, permanente
(o estar triste, o ser triste
o estar disposto, o ser disposto)
o ser não é possível
o ser se modifica com o passar do tempo
o ser muda
o ser é devir
poesia escrita em 18/08/2008, durante a aula de metodologia da história
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domingo, 4 de abril de 2010
será possível cartografar o espaço?
quinta-feira, 18 de março de 2010
dia extra-ordinário
- você se lembra daqueles dias incomuns em que as cortinas eram tiradas para lavar? o sol adentrava com mais vibração no interior da casa, a sala (ou o quarto) ficava bem maior, bem mais bonita. mesmo que você estivesse triste, em pouco tempo, de seu rosto nascia um sorriso e eu podia ver o sol brilhando em suas pupilas. você já sabia que aquele seria um dia diferente. e você pensava: "um dia eu vou me lembrar desse dia". pois é, hoje eu me lembrei dele. hoje, eu tirei as cortinas para lavar.
terça-feira, 9 de março de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
...
O silêncio fala para quem escuta
O silêncio fala o que a pessoa escuta
O silêncio não se atém a falar a verdade de ninguém
Por isso o corpo que fala no silêncio não é o da pessoa que gesticula
Mas o da que escuta
O silêncio fala o que a pessoa escuta
O silêncio não se atém a falar a verdade de ninguém
Por isso o corpo que fala no silêncio não é o da pessoa que gesticula
Mas o da que escuta
palavra na ilusão
o limite da palavra na ilusão da poesia
bendita palavra
capaz de salvar uma alma de sua decomposição
o limite da palavra na ilusão da poesia
maldita palavra
incapaz de metamorfozear-se naquilo que nomeia
a iminência de cair em um buraco negro
o que existe atrás da escuridão do buraco negro
bendita palavra
capaz de salvar uma alma de sua decomposição
o limite da palavra na ilusão da poesia
maldita palavra
incapaz de metamorfozear-se naquilo que nomeia
a iminência de cair em um buraco negro
o que existe atrás da escuridão do buraco negro
(escrito em junho de 2009 em resposta a um texto de g.giannattasio)
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
planeta terra
você nunca achou estranho que o nome do planeta terra fosse esse?
curioso um planeta em que 2/3 da superfície é coberta de água ser chamado de terra.
mas nomear é dar forma ao mundo e em breve (de 50 ou não sei quantos mil anos) o planeta terra estará coberto de terra. o que você acha que significa o aumento da desertificação? pois então, é isso mesmo: terra.
já vejo o planeta terra coberto de terra e encoberto por nuvens cinzas e chuvosas.
[...]
curioso um planeta em que 2/3 da superfície é coberta de água ser chamado de terra.
mas nomear é dar forma ao mundo e em breve (de 50 ou não sei quantos mil anos) o planeta terra estará coberto de terra. o que você acha que significa o aumento da desertificação? pois então, é isso mesmo: terra.
já vejo o planeta terra coberto de terra e encoberto por nuvens cinzas e chuvosas.
[...]
e nas frases de um sábio ocidental do final do século XX:
"buliram muito com o planeta
o planeta como um cachorro eu vejo
se ele já não aguenta mais as pulgas
se livra delas num sacolejo"
[...]
"a civilização se tornou tão complicada
que ficou tão frágil como um computador
que se uma criança descobrir
o calcanhar de aquiles
com um só palito para o motor"
"buliram muito com o planeta
o planeta como um cachorro eu vejo
se ele já não aguenta mais as pulgas
se livra delas num sacolejo"
[...]
"a civilização se tornou tão complicada
que ficou tão frágil como um computador
que se uma criança descobrir
o calcanhar de aquiles
com um só palito para o motor"
pois é, vai imaginando aí.
domingo, 17 de janeiro de 2010
sábado, 19 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
on the road

pé na estrada. viagem de ônibus. altas aventuras.
zunido de música do mp3, 4, 5, ou 6 alheio: puta música ruim.
pessoas que falam ao celular a noite inteira,
garoto que dorme e peida ao meu lado.
bêbados que se divertem com as histórias do cotidiano,
pessoas que roncam muito alto.
mas valeu a pena, viajar é bom que a gente se conhece de novo,
se encontra em outros cenários,
conversa com outros artistas.
valeu a pena!
zunido de música do mp3, 4, 5, ou 6 alheio: puta música ruim.
pessoas que falam ao celular a noite inteira,
garoto que dorme e peida ao meu lado.
bêbados que se divertem com as histórias do cotidiano,
pessoas que roncam muito alto.
mas valeu a pena, viajar é bom que a gente se conhece de novo,
se encontra em outros cenários,
conversa com outros artistas.
valeu a pena!
domingo, 8 de novembro de 2009
canivetes
no dia em que sai de casa fui pego de surpresa por uma tempestade de canivetes. eles caiam abertos, apontados para minha cabeça, mirando meu cérebro. porém, decidi encarar as ferroadas dos canivetes em minha cabeça. a cada buraco que se abria, pensamentos antigos, gaseificados, escapavam de minha mente, poluindo o ambiente e refrescando meu cérebro. ganhei espaço mental, o que me permitiu incorporar novas ideias e fazer novas conexões de ideias para criar e preencher os espaços desocupados.
depois disso, outras tempestades de canivetes me pegaram de surpresa...
depois disso, outras tempestades de canivetes me pegaram de surpresa...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
sobre os conceitos
"{...} os conceitos (como todos os conceitos e, aliás, todas as palavras) vêm carregado de acréscimos - cada um deles está sobrecarregado por sua carga psíquico-cultural, como convidados que suspeitosamente chegam com enorme excesso de malas para quem vem apenas passar o fim de semana." (Hakim Bey, Caos. São Paulo: Conrad, 2003)
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
eu em mim
quem és tu? que lhe chamam pelo teu nome?
que vive aí dentro de mim? que sou eu?
quem sou eu? que me chamam pelo meu nome?
que vive aqui dentro de mim? que és tu?
seu nome? valter.
meu valterego.
que vive aí dentro de mim? que sou eu?
quem sou eu? que me chamam pelo meu nome?
que vive aqui dentro de mim? que és tu?
seu nome? valter.
meu valterego.
domingo, 27 de setembro de 2009
vozes
qual é a cor do seu cabelo quando a luz do sol chega ao japão?
qual é o dia mais feliz da unha do seu pé?
qual é o aspecto mais bonito do seu joelho?
onde você está quando volta para casa?
onde fica seu estômago enquanto você toma banho?
em que lugar fica o caminho para a sua intensidade?
fique frio, o dia já vai acabar.
fique longe quando o vento abrir a porta do seu quarto.
fique quieto que eu quero dormir.
21/11/2006
fim
a última gota, enfim, se solta da torneira.
enquanto se desloca pelo ar,
as últimas emoções são sentidas e compartilhadas.
o que acontecerá quando a água tocar o chão
e se esvaziarem os sentidos?
talvez venha o silêncio...
o ensurdecedor silêncio...
e, no final, o estridente estilhaçar
do vidro da janela do quarto.
22/11/2004
enquanto se desloca pelo ar,
as últimas emoções são sentidas e compartilhadas.
o que acontecerá quando a água tocar o chão
e se esvaziarem os sentidos?
talvez venha o silêncio...
o ensurdecedor silêncio...
e, no final, o estridente estilhaçar
do vidro da janela do quarto.
22/11/2004
...
o eu e o outro
a onda encobre o castelo de areia. quando volta ao mar, leva consigo muitos daqueles grãos e transforma a forma do castelo. o que vai? o que fica? corre-se o risco de a onda levar o que eu gosto e deixar o que me faz sentir repulsa, o que deveria estar bem longe do olho do outro. do olho do meu outro e, também, do outro do outro.
22/11/2004
citação incompleta
"precisamos aprender como manejar eficientemente as palavras mas, ao mesmo tempo, devemos preservar, e, se necessário, intensificar nossa capacidade de olhar o mundo diretamente, e não através da lente semi-opaca das ideias, que destorce cada fato, diluindo-o no lugar comum das denominações genéricas ou das abstrações explanatórias" (aldous huxley)
27/10/2004
quase
parece que não há mais nada para fazer
para que os minutos voltem a mover os dias
para que as cores voltem a enfeitar a vida
pior que a solidão
é a presença de alguém que
quase
está ausente
quase
chegou tão próximo de ser e não foi
quase
não existiu
não aconteceu
quase
para que os minutos voltem a mover os dias
para que as cores voltem a enfeitar a vida
pior que a solidão
é a presença de alguém que
quase
está ausente
quase
chegou tão próximo de ser e não foi
quase
não existiu
não aconteceu
quase
16/10/2004
os meus caderninhos
hoje encontrei meus antigos caderninhos.
eles datam de setembro de 2004 a agosto de 2008.
a seguir, postarei algumas das frases que re-encontrei.
...com talvez pequenas modificações.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Homem
quem és tu, ó homem, que no dicionário é definido como um hominídeo extinto, que surgiu na Europa e Ásia por volta de 100 mil anos atrás, de pequena estatura e grande capacidade cerebral?
afinal, são homens todos os tipos de homo?
habilis, ergaster, erectus, neanderthalensis, sapiens...
seres da família hominidae.
Eles já vinham caminhando havia dias quando L, que estava lá atrás, ajudando M, ouviu um grito lancinante vindo da vanguarda. Correu toda a caravana, que tinha estacado com o grito, e quando chegou finalmente à frente da procissão encontrou Dara cercada por outros, ajoelhada diante de uma pegada. Ela levantou os olhos para ele, aterrorizada como os que a rodeavam, e disse: “Humanos!”.
A palavra ecoou de boca em boca ao longo da caravana, desnorteando a organização da fila, agora que já não sabiam mais se continuavam ou batiam em retirada. Alguns desmaiaram, outros agarraram seus filhos e mais de um guerreiro empunhou suas armas.
Lloyd Harold Billings
Humans, 1903, inédito
Do livro Aberração, de Bernardo Carvalho.
sábado, 29 de agosto de 2009
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
o despencar das máscaras
Pois é, eles estavam todos emparedados, fixados nas verdades que não devem ser tocadas.
No entanto, eis que ela se apresenta onipresente: a linguagem.
Um fala dali, outro gesticula de lá, o terceiro cantarola ali e o quarto se esconde acolá...
E as máscaras começam a despencar.
Uma a uma.
No entanto, eis que ela se apresenta onipresente: a linguagem.
Um fala dali, outro gesticula de lá, o terceiro cantarola ali e o quarto se esconde acolá...
E as máscaras começam a despencar.
Uma a uma.
Serão eles capazes de se encarar usando máscaras novas?
Bernardo Soares em Pessoa
"Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida; e os sentidos possíveis são muitos." (Soares, Bernardo apud Pessoa, Fernando. Aforismos e afins. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 10)
segunda-feira, 27 de julho de 2009
as ninfas mudas
As palavras eram três ninfas mudas,
filhas de um mortal e da deusa História. Observavam os acontecimentos
e se angustiavam com a impossibilidade de narrá-los. Um dia, as palavras se reuniram com a História
e imploraram pela voz. A deusa, sensibilizada com a súplica das filhas,
fez com elas um acordo: permitiria que falassem
desde que se comprometessem em narrar aos mortais seus ensinamentos.
Ansiosas, achando que a tarefa seria simples, aceitaram a condição...
Ansiosas, achando que a tarefa seria simples, aceitaram a condição...
E deu no que deu.
Cada uma das palavras,
Cada uma das palavras,
ao narrar os ensinamentos da História, tinha seu próprio sentido...
Em pouco tempo, os resultados da empreitada começaram a aparecer...
o que quase levou a História ao completo descrédito:
as palavras haviam criado uma grande variedade de ensinamentos.
Alguns deles se completavam, outros se opunham
e os demais não tinham nenhuma relação entre si.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
coisas do discurso
trópico é desvio para os gregos clássicos,
já para os gregos koinés, é maneira.
para os latinos clássicos, trópico é metáfora ou figura de linguagem,
já os latinos tardios usam a palavra para dizer compasso (ou tom, sabe lá).
mas, para os ingleses modernos, trópico é estilo.
ou melhor, estilo é para os portugueses brasileiros,
para os ingleses modernos, é style.
o estilo faz a análise do discurso.
o discurso faz a análise do estilo.
já para os gregos koinés, é maneira.
para os latinos clássicos, trópico é metáfora ou figura de linguagem,
já os latinos tardios usam a palavra para dizer compasso (ou tom, sabe lá).
mas, para os ingleses modernos, trópico é estilo.
ou melhor, estilo é para os portugueses brasileiros,
para os ingleses modernos, é style.
o estilo faz a análise do discurso.
o discurso faz a análise do estilo.
Texto de referência:
- WHITE, Hayden. Trópicos do discurso, p. 14.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
história sob suspeita
história sob suspeita sob suspeita história suspeita história
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história sob suspeita sob suspeita história suspeita história
história sob suspeita sob suspeita história suspeita história
história sob suspeita sob suspeita história suspeita história
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quem ouve? quem houve?

















