quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Rosa dos ventos


Rosa dos ventos


E do amor gritou-se o escândalo 
Do medo criou-se o trágico 
No rosto pintou-se o pálido 
E não rolou uma lágrima 
Nem uma lástima 
Pra socorrer 
E na gente deu o hábito 
De caminhar pelas trevas 
De murmurar entre as pregas 
De tirar leite das pedras 
De ver o tempo correr 
Mas, sob o sono dos séculos 
Amanheceu o espetáculo 
Como uma chuva de pétalas 
Como se o céu vendo as penas 
Morresse de pena 
E chovesse o perdão 
E a prudência dos sábios 
Nem ousou conter nos lábios 
O sorriso e a paixão 
Pois transbordando de flores 
A calma dos lagos zangou-se 
A rosa-dos-ventos danou-se 
O leito dos rios fartou-se 
E inundou de água doce 
A amargura do mar 
Numa enchente amazônica 
Numa explosão atlântica 
E a multidão vendo em pânico 
E a multidão vendo atônita 
Ainda que tarde 
O seu despertar

quem ouve? quem houve?

quem ouve? quem houve?