sábado, 29 de agosto de 2009

sol

Palmas, rio Tocantins

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

o despencar das máscaras

E, então, lá pelas tantas, todas as máscaras caíram...
...da parede.
Pois é, eles estavam todos emparedados, fixados nas verdades que não devem ser tocadas.
No entanto, eis que ela se apresenta onipresente: a linguagem.
Um fala dali, outro gesticula de lá, o terceiro cantarola ali e o quarto se esconde acolá...
E as máscaras começam a despencar.
Uma a uma.
Serão eles capazes de se encarar usando máscaras novas?
- Mas será que eles não sabiam que usavam máscaras?
Por que estão tão surpresos?
Danada linguagem. Nunca vi alguém tão incapaz de realizar aquilo a que se propõe. Falsa. Iludiu-os.
- Será que serão tão ingênuos?
...Pobres humanos, sempre tão preocupados com as aparências...

Bernardo Soares em Pessoa

"Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida; e os sentidos possíveis são muitos." (Soares, Bernardo apud Pessoa, Fernando. Aforismos e afins. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 10)


segunda-feira, 27 de julho de 2009

as ninfas mudas

As palavras eram três ninfas mudas,
filhas de um mortal e da deusa História. Observavam os acontecimentos
e se angustiavam com a impossibilidade de narrá-los. Um dia, as palavras se reuniram com a História
e imploraram pela voz. A deusa, sensibilizada com a súplica das filhas,
fez com elas um acordo: permitiria que falassem
desde que se comprometessem em narrar aos mortais seus ensinamentos.
Ansiosas, achando que a tarefa seria simples, aceitaram a condição...
E deu no que deu.
Cada uma das palavras,
ao narrar os ensinamentos da História, tinha seu próprio sentido...
Em pouco tempo, os resultados da empreitada começaram a aparecer...
o que quase levou a História ao completo descrédito:
as palavras haviam criado uma grande variedade de ensinamentos.
Alguns deles se completavam, outros se opunham
e os demais não tinham nenhuma relação entre si.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

coisas do discurso

trópico é desvio para os gregos clássicos,
já para os gregos koinés, é maneira.
para os latinos clássicos, trópico é metáfora ou figura de linguagem,
já os latinos tardios usam a palavra para dizer compasso (ou tom, sabe lá).
mas, para os ingleses modernos, trópico é estilo.
ou melhor, estilo é para os portugueses brasileiros,
para os ingleses modernos, é style.
o estilo faz a análise do discurso.
o discurso faz a análise do estilo.

Texto de referência:
  • WHITE, Hayden. Trópicos do discurso, p. 14.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

história sob suspeita

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quem ouve? quem houve?

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