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terça-feira, 6 de abril de 2010

poesia para parmênides em consonância com heráclito

o devir não é
o devir não é ser
o devir deve vir
o ser é
o ser não é devir
o ser deve ser
o devir muda, passa
o ser é constante, permanente
(o estar triste, o ser triste
o estar disposto, o ser disposto)
o ser não é possível
o ser se modifica com o passar do tempo
o ser muda
o ser é devir

poesia escrita em 18/08/2008, durante a aula de metodologia da história

domingo, 8 de novembro de 2009

canivetes

no dia em que sai de casa fui pego de surpresa por uma tempestade de canivetes. eles caiam abertos, apontados para minha cabeça, mirando meu cérebro. porém, decidi encarar as ferroadas dos canivetes em minha cabeça. a cada buraco que se abria, pensamentos antigos, gaseificados, escapavam de minha mente, poluindo o ambiente e refrescando meu cérebro. ganhei espaço mental, o que me permitiu incorporar novas ideias e fazer novas conexões de ideias para criar e preencher os espaços desocupados.
depois disso, outras tempestades de canivetes me pegaram de surpresa...

domingo, 27 de setembro de 2009

vozes

qual é a cor do seu cabelo quando a luz do sol chega ao japão?
qual é o dia mais feliz da unha do seu pé?
qual é o aspecto mais bonito do seu joelho?
onde você está quando volta para casa?
onde fica seu estômago enquanto você toma banho?
em que lugar fica o caminho para a sua intensidade?
fique frio, o dia já vai acabar.
fique longe quando o vento abrir a porta do seu quarto.
fique quieto que eu quero dormir.


21/11/2006

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bernardo Soares em Pessoa

"Tudo quanto o homem expõe ou exprime é uma nota à margem de um texto apagado de todo. Mais ou menos, pelo sentido da nota, tiramos o sentido que havia de ser o do texto; mas fica sempre uma dúvida; e os sentidos possíveis são muitos." (Soares, Bernardo apud Pessoa, Fernando. Aforismos e afins. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 10)


segunda-feira, 27 de julho de 2009

as ninfas mudas

As palavras eram três ninfas mudas,
filhas de um mortal e da deusa História. Observavam os acontecimentos
e se angustiavam com a impossibilidade de narrá-los. Um dia, as palavras se reuniram com a História
e imploraram pela voz. A deusa, sensibilizada com a súplica das filhas,
fez com elas um acordo: permitiria que falassem
desde que se comprometessem em narrar aos mortais seus ensinamentos.
Ansiosas, achando que a tarefa seria simples, aceitaram a condição...
E deu no que deu.
Cada uma das palavras,
ao narrar os ensinamentos da História, tinha seu próprio sentido...
Em pouco tempo, os resultados da empreitada começaram a aparecer...
o que quase levou a História ao completo descrédito:
as palavras haviam criado uma grande variedade de ensinamentos.
Alguns deles se completavam, outros se opunham
e os demais não tinham nenhuma relação entre si.

quem ouve? quem houve?

quem ouve? quem houve?