quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
o improvável encontro entre cícero, balzac, baudelaire e poe
Fazia dias que a palavra me chamava mas não falava nada. Eu ligava o computador, abria um arquivo em branco, olhava as teclas do teclado e nada. Nem uma mísera palavra falava. Então, desligava tudo e voltava a ler os contos extraordinários do Poe.
As notícias jornalísticas, geralmente inspiradoras de minha escrita, andavam tão enfadonhas que já não me instigavam a passar horas com elas. As crônicas cotidianas já me cansavam a beleza e não mereciam minha atenção.
Naquele dia, contudo, eu voltava para casa depois de mais uma noite desventurosa, vinha sem ideia alguma, cambaleando de sono, quase sonhando... Ao passar por um boteco tipo pé de balcão vi com meus próprios olhos uma discussão calorosa entre três ilustres personas.
Pareciam estrangeiros, ou melhor, eram estrangeiros. As roupas e a maneira de falar não mentiam. Estrangeiros no tempo e no espaço, soou-me como se eles tivessem entrando numa máquina do tempo. Eram eles Baudelaire, Balzac e Poe.
Estavam extasiados com os acontecimentos presenciados durante o dia. Embora aparentassem a satisfação de alguém que comprova uma hipótese, pareciam não acreditar no que seus olhos tinham visto. Estavam arrasados.
Escondi-me atrás do balcão para ouvir a conversa. Balzac parecia que entrava em transe. "Caros, preciso de uma pena e papel, tenho muitas histórias para escrever sobre as ruas dessas metrópoles modernas. Quanta barbárie, imensas aglomerações, inúmeros automóveis que mais parecem aquelas naves futuristas que imaginávamos voariam entre os planetas!"
"Ora, Balzac, não alucine! Não avacalhe! Que metrópole moderna coisa nenhuma, isso é a própria Roma de Calígula! Uma balburdia!” Gritou da porta um sujeito que acabava de chegar. Era Cícero, o famoso romano. Vejam, as mulheres são insubmissas. Pior, dominaram completamente a vida social. As crianças se assemelham a bestas feras, não sabem nada de história, não sabem cultivar seus sentimentos, não têm habilidade para escrever seus pensamentos, não conseguem olhar além do próprio umbigo. Os próprios mestres não se ocupam com sua formação, apresentam ideias prontas e, a troco de um reles salário, reproduzem verdades enganadoras. Preferem horas de entretenimento às leituras e experimentação da vida. Até os mais ilustres personagens vivem presos às notícias imediatas veiculadas nisso que eles chamam de ‘mídia’. Terrível! Isso é a decadência! Oh! Pobre cultura ocidental!"
"Não exageres, ó antigo orador, as mulheres sempre foram o que são. Leias as minhas “Flores do mal”. Não há nenhuma novidade quanto à vileza feminina. Tu que eras muito romântico para tua época! Falas da educação, das mulheres, porém, não ouvi de tua boca uma só palavra acerca da política, desta república que por aí anda. O que tens a dizer agora, ó grande romano, em relação a isto aí que eles chamam de república? Ou esqueceste todas aquelas belas palavras com que glorificavas o governo romano?"
Nesse momento, Cícero respirou fundo, abanou a cabeça e pediu uma dose da pinga mais forte da casa. Calmamente, disse a Baudelaire: "Hoje, meu caro, os homens veementes preferem viver no ócio prazenteiro e na tranquilidade do que meter-se entre as ondas das tempestades públicas. Já não são como os homens de minha Roma. Hoje o grande amor à defesa da saúde comum não é força que triunfa sempre sobre o ócio e a voluptuosidade. Nem mesmo os sábios dessa época se importam em aplicar seus conhecimentos à coisa pública. Esqueceram-se que a pátria não os gerou nem educou sem esperança de recompensa de sua parte. Pensam que tal formação foi somente para sua comodidade, para procurar retiro pacífico para a sua negligência e lugar tranquilo para seu ócio. Esqueceram-se que a pátria os formou para aproveitar as mais numerosas e melhores faculdades de suas almas, de seu engenho, deixando somente o que a ela possa sobrar para seu uso privado. Monsieur Baudelaire, não tenho mais palavras a perder com essa gente. Calo-me".
Foi então que de um pulo Poe levantou-se da cadeira e disse: "Senhores, anotei aqui na minha cachola algumas ideias para um conto genial. Um conto de terror no futuro, pois espero voltar logo para minha querida época natal e morrer novamente bêbado e feliz nas ruas Baltimore. A história será mais ou menos assim: Naquele dia entrei numa máquina do tempo e fui parar numa cidade medonha do futuro. Era a própria visão do inferno, visão que piorava a medida que eu percebia a empolgação com que as pessoas da época julgavam tal mundo. Elas supunham ser a época mais feliz, mais rica, mais justa, elas acreditavam ter chegado ao ápice da igualdade, liberdade e fraternidade. Vi pessoas destruindo veículos coletivos, enterrando animais vivos, desprezando os mestres, cortando árvores e corrompendo crianças em nome de seus direitos. Vi pessoas degeneradas ocupadas em gozar, gozar, gozar, e conforme elas gozavam viravam uma espécie gosmenta de verme, um verme que maculava todo o planeta e eliminava qualquer possibilidade de regeneração da natureza terrestre. Percebendo a podridão em sua volta, tais vermes começaram a desenvolver técnicas de viagens e colonização interestelar. Queriam apodrecer o universo. Marte, porém, estava atento e acompanhava a movimentação de seres tão desprezíveis. Antes que pudessem partir de seu fétido planeta, o deus da guerra reuniu o restante dos guerreiros do panteão romano e partiu para cima deles..."
"Ah, pode parar com essa conversa, mister Poe, deixe-me contar essa história por um viés mais antropológico e sucinto", pediu Balzac. "Naquele dia fatídico vislumbrei os reflexos da decadência da cultura humana. Vi confirmado meu palpite acerca do fanatismo da individualidade e comprovei minha hipótese lançada em 1833, quando escrevia Ferragus: Quanto mais nossas leis tenderem a estabelecer uma igualdade impossível, tanto mais nossos costumes se afastarão delas. Sim, era uma época em que as pessoas, os vermes de Poe, se vangloriavam com o nível de igualdade que julgavam ter alcançado. Pobres criaturas, a ignorância das épocas passadas, a predominância do imediato, a tendência à padronização da experiência vivida não lhes permitia ver as diferenças. E eram tantas as diferenças, e cada uma delas tão certa de si mesma, que o desastre aconteceu. Quando menos se esper a v....."
Então presenciei uma cena surpreendente. A voz de Balzac começou a ficar longínqua, já não consiga entender direito o que ele falava. Olhei para os demais e vi que eles estavam ficando brancos, translúcidos e começavam a desaparecer. Quando olhei de novo para Balzac, não havia mais nada. As quatro personas tinham desaparecido do bar, literalmente tinham evaporado.
Fiquei muito curioso para saber o resto da história, mas não tinha mais o que fazer ali. Voltei para casa, o sol já começa a raiar. Dormi profundamente por quase dez horas. Quando acordei, para meu grande espanto, encontrei caído ao pé da cama um bilhete escrito com a caligrafia de Balzac. Em letras garrafais, dizia: "O acaso é o maior romancista do mundo. Continue sua história".
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
escrito antigo
O TEMPO MOVIMENTA O VENTO MOVIMENTA O GALHO MOVIMENTA A FOLHA.
O SOL ILUMINA O DIA ILUMINA A VIDA ILUMINA A MORTE.
O FOGO QUEIMA A VELA QUEIMA O PAPEL QUEIMA.
O CHEIRO ACENDE A MEMÓRIA ACENDE A SAUDADE ACENDE A SOLIDÃO.
A PALAVRA REVELA O PENSAMENTO REVELA O SEGREDO REVELA O ERRADO.
O PRESENTE INTERPRETA A HISTÓRIA INTERPRETA O PASSADO.
O PASSADO É O PERFUME DE ALGUÉM QUE JÁ PASSOU.
190 anos em 17 linhas
Nas curvas da estrada de Santos,
Às margens de um tal Ipiranga
Foi que Pedro deu adeus ao sonho imperial.
Se fosse hoje, alguns mais nostálgicos diriam:
“Foi então que perdemos a chance
De nos tornarmos europeus.”
Outros mais entusiasmados gritariam:
“Um viva à independência do Brasil!”
Mas a maioria continuaria se perguntando:
“Que diferença fez?”
Os nostálgicos, cabisbaixos, responderiam:
“Foi assim que nos iniciamos no 3º mundo.”
E aqueles, estusiasmados, comentariam:
“Vamos nos tornar uma potência mundial, uma Metrópole, o paraíso agro-exportador.
O futuro nos espera.”
E a maioria, perplexa, concluiria:
Realmente, que diferença fez!”
domingo, 15 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
da estação raul: todo mundo explica
Esse programa vai para todos os
Cientistas
Zen budistas
Capitalistas
Platonistas
Freudistas
Protestantes
Auto-falantes
do meu Brasil Varonil!!!!
Porque um dia, em um pequenino planeta, animais inteligentes inventaram as palavras e começaram a dar nomes às coisas.
De início, inventaram um nome para si próprios:
Humanos...
Depois, usaram as palavras para descrever o mundo, compartilhar experiências, dar sentido aos sentimentos.
Porém, conforme o tempo foi passando, os Humanos começaram a confundir as palavras e as coisas.
Esqueceram que as coisas existiam antes das palavras, esqueceram, também, que as coisas continuariam existindo caso as palavras se calassem.
Esqueceram que as palavras eram as metáforas do mundo, que elas igualavam coisas que não eram iguais.
Para ouvir o programa "Todo mundo explica", que foi ao ar da UEL fm no dia 27/12/2010,
clique aqui.
sábado, 7 de janeiro de 2012
pseudo-saber
nunca é sábio quem se ilude com teorias
e pensa assim conhecer o mistério das pessoas
pobre devoto
pensa que o mundo tem o tamanho de sua certeza
acredita que inventando padrões poderá medir a vida
ingênuo e egocêntrico
não percebeu que diz apenas de si mesmo
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
cinza céu azul
crédito da foto: fábio m. bueno
Gosto de sentir a tristeza de um dia nublado.
Eu me recarrego com a tristeza de um dia nublado.
Me reencanto com outros lugares e, quem sabe, com outras épocas.
Me sinto em Glascow e também em Minas Gerais.
Não me pergunte por quê.
Apenas sinto, por um instante, a existência de outro espaço-tempo,
Como diria meu amigo.
Gosto de sentir a tristeza de um dia nublado,
Porque isto é pura poesia.
E eis que a céu se pinta de azul.
Azul vivo, brilhante.
As folhas verdes, bem verdes das árvores e arbustos,
Refletem a cor amarela do amarelo do sol.
O vento de inverno esvoaça as cortinas, bate a porta e leva a poeira.
Me é extremamente aconchegante, apesar de frio.
Hoje as flores estarão felizes.
Hoje elas crescerão e iluminarão a face do observador.
sábado, 17 de dezembro de 2011
atualizando o desafio
foi anunciado aos quatro cantos
- a literatura vai te salvar -
aceitou o desafio
um jogo de palavras
inventar mundos com sensações
(as palavras são sensações
para quem lê)
mas o tempo, o tempo
o tempo das palavras literárias tem outro relógio
ele não se importa com prazos e contratos
o tempo das palavras literárias se pauta em personagens
não se atém ao ritmo do dia a dia de gente real
para ser poesia
a palavra esquece da vida!
e vive...
- a literatura vai te salvar -
aceitou o desafio
um jogo de palavras
inventar mundos com sensações
(as palavras são sensações
para quem lê)
mas o tempo, o tempo
o tempo das palavras literárias tem outro relógio
ele não se importa com prazos e contratos
o tempo das palavras literárias se pauta em personagens
não se atém ao ritmo do dia a dia de gente real
para ser poesia
a palavra esquece da vida!
e vive...
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Eu de adjetivos - Os Novos Baianos
Entre o passo e a consequência
Eu de a, de a... dje
Por todos os ladrilhos pisados, passados
Passando de risco a traço
Pra ser caminho
Mil maços de caminhos
Não vejo outro circuito das luzes da minha terra
As luzes são de fogo, aroma e tocha!
As dúvidas se esvaem tranquilas na palma da minha mão
Eu vou por cima das minas, das minas do rei Salomão
Não vejo um longo circuito das luzes da minha terra
As luzes são de fogo, aroma e tocha
As dúvidas embalam tranquilas na palma da minha mão
Eu vou por cima das minas, das minas do rei Salomão
sábado, 10 de dezembro de 2011
um recado me esperava no meio dos recortes de jornais
Pois é, organizar papéis alheios dá nisso. A gente acaba descobrindo tesouros... e descobre também que existiam tesouros escondidos para nós... Em dado momento do trabalho, encontrei um grupo de recortes e textos manuscritos endereçados à minha pessoa... ainda que meu avô não soubesse que a pessoa seria eu. O texto, intitulado "Arquive-se", escrito na clássica caligrafia de Célio Rodrigues Siqueira (clássica para mim, obviamente, que cresci lendo os textos de meu avô...), diz o seguinte:
Arquive-se
"Tenho uns papéis guardados que vão se perder, bem sei. São recortes que fui ajuntando pelo caminho numa variedade bem reveladora dos transitórios de espírito então vividos, tendo portanto pouco valor para quem vier depois. Alguns porém devem continuar, e a maneira mais segura de garantir-lhes a dilatação dos prazos que precedem ao esquecimento é trazê-los de volta à luz do dia, onde se aquecerão por um momento, antes de voltarem à escuridão. E para alguém que resolve recortar e guardar o que aqui vai, eis o que diz o poeta Antonio Cícero, de quem nunca ouvi falar:
O senso de justiça de Abraão Lincoln estava presente até nos versos que improvisava, como nestes traduzidos por Milton Amado:
Leia agora "A Devolução da Oferta" do poeta indiano Rabindranath Tagore, na tradução de Guilherme de Almeida:
Infelizmente esse recorte se perdeu... ou está perdido.
Se vier a encontrá-lo, postarei aqui!
Este, copiei de algum lugar, por considerá-lo original e de leitura agradável, embora não leve a parte alguma:
E para concluir, por hoje, eis Franz Kafka, o atribulado e genial judeu tcheko, numa página que bem merece ser guardada, como o recomenda o poeta de abertura destes recortes:"
Por fim, para saciar a curiosidade dos leitores de plantão, segue o manuscrito de C.R.S. onde tudo isso está testamentado...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
pedaços antigos de jornais
estou organizando o material deixado por meus avós, especialmente pelo meu avô, que se dedicava mais às palavras escritas. são folhetos das coleções da national geographic, crônicas da semana, cadernos de anotações bíblicas, correspondências, documentos familiares, mapas, fotografias de paraguaçu, da família etc, etc, porque a lista é longa. todavia, o que mais tem chamado minha atenção são os recortes de jornais. geralmente notícias estranhas, peculiares, inesperadas. desabafo de um sujeito que se arrependeu de uma atitude preconceituosa, receitas para diminuição da acidez do estômago, nota sobre um tal de 'boa noite cinderela', poesias... e até uma comparação entre a mulher e os cinco continentes.
seguem:
seguem:
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
existir
o que eu sei é o que se apresenta.
eu não sei de nenhuma essência do ser,
porque isso não existe.
as pessoas são o que necessitam ser,
e isso muda.
capisci?
o drama da teoria
na vida é que a gente aprende as lições da vida.
é a experiência da vida,
não a experiência do laboratório,
que ensina.
tem gente que quer provar o contrário.
essas pessoas não perceberam,
coitadas,
que da vida alheia não sabem nada.
inventar teorias para a experiência da vida
é fazer experiências no laboratório.
recortar, observar, calcular, medir, quantificar,
analisar, sintetizar e estabelecer leis, padrões de repetibilidade.
experimentar a vida é vivenciar o mundo!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
ESPÓLIOS DISSERTATIVOS: DIÁRIO DE UM ESCRITOR (II)
De volta ao laboratório das palavras. Faz dias que o dia é um só e o mundo é composto de palavras de mentira. História. A música na vitrola, a vela na mesa, o punhal no coração... (a última frase, não se pré-ocupe, foi só para aumentar a tragédia... ao som de Raul de Souza)
Falta tinta em minha mesa, falta tinta... só livros, velas, venenos da beleza do ser escritor. A tragédia das palavras, o mal humano. A contrapartida podre, trapaceira que o ser “racional” dessa merda chamada Terra deu aos deuses para que eles dessem uma forma a esse mundo. Bem feito. Deram sangue podre, agora aguentem.
A pessoa só percebe, não era isso que eu ia dizer, mas já que disse, fica aí, a pessoa só percebe. Isso é muito ou pouco? Você vai querer saber, isso é o que é. O valor, muito ou pouco, é argumentável.
A mágica, não conte para ninguém, a mágica é a percepção. Mas é também a expressão da percepção. É a linguagem. É o micro e o macro. Hahahahahahaha. Ganhei!
Quem inventa a vida sou eu!
julho/2011
ESPÓLIOS DISSERTATIVOS: O DIÁRIO DE UM ESCRITOR
Linguagem. O que é isso que todos falam?
Falam, escrevem, desenham, pintam, esculpem, catalogam, arquivam, fotografam, filmam...
É produzir uma existência que supera o corpo, a existência física. É ser lembrado, é ser esquecido...
Essas palavras traiçoeiras escorregam da minha mente para minha mão. De onde olho, daqui do meu olho, vejo dedos se movendo, segurando a caneta e machucando o papel com as palavras. Se fecho os olhos, tenho dificuldade de escrever, mas, tentando desfocar a atenção de minha vista, começo a sentir o movimento da minha mão...
Essas palavras traiçoeiras escorregam da minha mente para minha mão sem que eu consiga dar a elas o poder de transformar o mundo. Será possível a alquimia das palavras? Chamo para sentar ao meu lado o escritor português Lobo Antunes, médico, psiquiatra, ex-combatente, contrariado, anestesiado, revoltado. E peço para ele me mostrar uma saída. Ao que me responde: “eis o poder criador da palavra... mesmo percebendo e admitindo não encontrar na palavra a expressão exata de meu sentimento”. Ele se entrega ao encanto das palavras, capazes de criar inúmeros mundos.
Essas palavras ensaboadas que deslizam pelas linhas do meu caderno e se distanciam de meus pensamentos. Sentei aqui para escrever sobre a linguagem... e até agora só enrolei. Sinceramente, tenho dificuldade com o assunto. Parece-me impossível dissecar a palavra usando outra palavra.
maio/2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
os passarinhos que aqui cantam também cantavam lá!
o quintal em decadência...
fotografias tiradas no início do ano de 2004
lá se vai o sol. os pássaros cantam, as cigarras soam, crianças brincam. lembro-me quando brincava como aquelas crianças dali de baixo. fecho os olhos, vejo o quintal da casa da minha avó, as árvores, o balanço no galho da mangueira. as cores daqueles dias, vejo as cores daqueles dias daqui da janela de casa. imagens que me chegam bem intensas, cheias de brilho. queria poder guardar alguns momentos da vida, guardá-los congelados. e que fosse possível voltar lá quando sentisse saudade. saudade do ser que já não pode vir a ser.
sensações.
(escrito em 24/01/2005)
o quintal ainda vivo!
fotografia tirada por volta de 1987
os primórdios do quintal...
fotografia tirada por volta de 1974
(por favor, quem já era nascido me refresque a memória!
é essa data mesmo?)
os primórdios do quintal...
fotografia tirada por volta de 1974
(por favor, quem já era nascido me refresque a memória!
é essa data mesmo?)
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sobre a modernidade de baudelaire
mais uma citação:
"o passado é interessante não somente pela beleza que dele souberam extrair os artistas para quem constituía o presente, mas igualmente como passado, por seu valor histórico. o mesmo ocorre com o presente. o prazer que obtemos com a representação do presente deve-se não apenas à beleza de que ele pode estar revestido, mas também à sua qualidade essencial de presente".
"o passado é interessante não somente pela beleza que dele souberam extrair os artistas para quem constituía o presente, mas igualmente como passado, por seu valor histórico. o mesmo ocorre com o presente. o prazer que obtemos com a representação do presente deve-se não apenas à beleza de que ele pode estar revestido, mas também à sua qualidade essencial de presente".
baudelaire, charles. sobre a modernidade: o pintor da vida moderna. rio de janeiro: terra e paz, 1996, p. 8.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
goethe pornográfico
Não te queres deitar nua ao meu lado, bem-amada;
Por vergonha te escondes de mim em tuas vestes.
Diz-me, o que cobiço? A tua roupa ou o teu corpo?
Vergonha: uma roupa que os amantes jogam fora.
de Epigramas Venezianos, In: Poesia erótica: Cia das Letras
quarta-feira, 20 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
de ricardo reis
Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é um presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
alguma aula de filosofia
para que serve a razão? para apaziguar os espíritos? para domar as sensações do corpo?
vamos direto ao ponto, meus caros, por que vocês estão tão espantados com as manifestações artístico-filosóficas dessa mulher? deixemos a mulher sentir em seu corpo as intensidades da vida. deixemo-la voar. poderá ela voar? parece que não, não nesse mundo da filosofia. ela continuará tendo de lançar mão de evasões, truques e máscaras para inventar sua existência no universo das interpretações. ela terá de inventar uma razão. justificativas, explicações.
desde o neolítico, são diferentes as maneiras como a domesticação bate no corpo de homens e mulheres. a reação à domesticação do corpo da mulher tem de ser marcante, pois é marcante o modo como ela opera em seu corpo.
será possível, meus caros, levar nietzsche as últimas consequências?
onde mora a realidade sobre o mundo? não continuamos criando conceitos e modos aceitáveis de viver a vida? não estamos aqui aprendendo o bem falar? o falar perspectivo, que escapa das determinações da palavra? será possível? seria possível? onde mora o limite? será a vida uma obra de arte? será isto aceitável, a vida como arte nesse mundo da norma? qual é o limite? será possível viver, sentir no corpo as palavras nietzscheanas? que tipo de experimento é esse?
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
gerações da vida
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não são de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e se estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que o encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
domingo, 29 de maio de 2011
sábado, 28 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
...
a menina correu para o meio do mundo.
olhou para cima, em direção ao satélite do google earth
e disse:
eu não sou uma gracinha!
quarta-feira, 18 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
a cor do cinza
*
o dia estava nublado, era outono, muitas folhas no chão
cinza
frio
havia mais ninguém
silêncio
*
bancos envolvidos por altas palmeiras
sentei-me no meio de um deles e olhei
não havia raios de sol nem alegria
as nuvens condensavam a luminosidade solar e refletiam o silêncio de um dia nublado
me lembrei dos versos escritos anos antes:
gosto de viver a tristeza de um dia nublado
saudade ancestral
tristeza aconchegante
o vento frio no rosto
no bosque, a neblina a abraçá-lo
sombrio e denso
silêncio
*
sábado, 26 de março de 2011
clio, a grega moderna
clio foi pega pelo pé, passaram-na pelo filtro cientificista, pobre grega, e transformaram-na em uma titã moderna, objetiva e generalista, cheia de fórmulas e métodos pré-fabricados.
dona da verdade dos fatos, a clio moderna se coloca à frente das demais musas e se proclama a única com autoridade para contar uma história digna de confiança.
apresenta-se com uma arrogância neutra e racional, retórica e explicativa.
pobre grega...
sexta-feira, 25 de março de 2011
sangue no papel
quando o coração está a derramar litros de sangue é impossível escrever
o líquido vermelho se espalha no papel e mancha o que estava escrito
(escrito em 05/12/2004)
terça-feira, 8 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
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